REVISTA CENTRAL DE SOCIOLOGÍA, Nº 17, 2023. ISSN 0718-4379 ed. impresa, ISSN 2735-7058 ed. en línea.

 

La Copa Mundial de la FIFA: un análisis de Sudáfrica, Brasil y Rusia1

The FIFA World Cup: An analysis of South Africa, Brazil and Russia

Fecha de recepción: 21 de marzo de 2023 / Fecha de aprobación: 11 noviembre de 2023

Marco Bettine2 y Diego M. Gutierrez3

Resumen

El artículo analiza cómo los medios internacionales retrataron al país anfitrión en tres Copas Mundiales de la FIFA, Sudáfrica 2010, Brasil 2014 y Rusia 2018. La investigación analizó 5.085 artículos producidos por siete vehículos de cuatro países durante los eventos, utilizando el análisis del encuadre. El artículo tiene como objetivo comprender cómo los medios retrataron a estos países, las similitudes en la cobertura y las transformaciones ocurridas en el período. Los tres países presentan un caso de estudio interesante, ya que se consideran naciones en desarrollo que albergaron la Copa Mundial de la FIFA con un objetivo similar, mejorar su imagen internacional. La cobertura en Sudáfrica y Brasil está dominada por temas sociales como la desigualdad, la violencia y la pobreza, mientras que Rusia se centra en temas políticos expansionistas y la guerra.

Palabras clave: Brasil, Rusia, Sudáfrica, encuadre mediático, megaeventos deportivos.

 

Abstract

The article discusses how the international media portrayed the host country in three FIFA World Cups, South Africa 2010, Brazil 2014 and Russia 2018. The research analyzed 5,085 articles produced by seven vehicles from four countries during the events, using the analysis of framing. The article aims to understand how the media portrayed these countries, the similarities in coverage and the transformations that occurred in the period. The three countries present an interesting case study, as they are considered to be developing nations that hosted the FIFA World Cup with a similar objective, to improve their international image. Coverage in South Africa and Brazil is dominated by social issues such as inequality, violence and poverty, while Russia is focused on expansionist political issues and war.

Keywords: Brazil, Russia, South Africa, Media Framing, Sports Mega Events

 

Introdução

Os megaeventos esportivos (ME) hoje têm um impacto global, tanto em nações desenvolvidas quanto em desenvolvimento, estas nações estão dispostas a gastar bilhões de dólares para sediar essas competições. Existem muitas razões para sediar tais eventos, como melhorias urbanas, atrair turistas e expandir a influência geopolítica. Com os custos crescentes para sediar um ME, a questão do legado tornou-se um tópico importante (Koenigstorfer et al., 2019).

Uma das razões para acolher um ME é melhorar a imagem internacional do país. Utilizando a exposição na mídia e o fluxo turístico para mostrar o país e expandir sua influência internacional (Grix & Brannagan, 2016; Grix & Houlihan, 2014). Buscando avançar na discussão e contribuir para uma nova abordagem dos estudos de ME, este artigo compara a cobertura internacional de três Copas do Mundo Masculinas da FIFA - África do Sul 2010, Brasil 2014 e Rússia 2018 por meio de análise de enquadramento. O artigo visa compreender como cada país foi retratado em jornais de relevância internacional, bem como os elementos comuns na cobertura jornalística das ME nos países em desenvolvimento.

A escolha dos três países apresenta uma situação interessante, pois eles sediaram a Copa do Mundo da FIFA com objetivos semelhantes. Agrupados sob a sigla BRICS, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul são considerados players globais com poder econômico e militar, mas carentes de prestígio e influência no cenário internacional. O ME apresentou então uma oportunidade de se dar a conhecer ao mundo e aumentar a sua influência global, aproveitando a cobertura midiática e a afluência de turistas para expor as qualidades e o desenvolvimento do país, estratégia normalmente relacionada com a ideia de expandir o seu soft power (Grix & Houlihan . 2014; Almeida et al., 2014).

Este processo não se limitou ao Campeonato do Mundo da FIFA mas fez parte de uma mudança mais ampla no perfil dos países anfitriões dos ME, como, por exemplo, os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 e Pequim em 2008, as Olimpíadas de inverno em Sochi em 2014 e Pequim em 2022, bem como eventos de médio porte na Índia, como os Jogos da Commonwealth de Delhi em 2010 (Haynes & Boyle, 2017; Eckstein, et al., 2010; Grix & Lee, 2013 , Gutierrez & Almeida, 2020).

A estratégia, no entanto, não foi tão direta quanto o esperado. O ME também pode ser prejudicial à imagem internacional de um país (Gutierrez & Almeida, 2020, Manzenreiter, 2010; Brannagan & Giulianotti , 2015), casos como a perseguição de dissidentes políticos na China, a perseguição dos grupos LGBTQIA+ na Rússia e os sistema kalafa aos migrantes no Catar são exemplos de como o ME pode prejudicar a imagem de um país.

As Copas do Mundo FIFA 2010, 2014, 2018, já possuem um corpo significativo de artigos discutindo seu impacto na imagem internacional de seus anfitriões. Hammet (2011), analisando a cobertura inglesa da África do Sul, constatou a perpetuação de vários estereótipos sobre a África. No caso brasileiro, estudos concluíram que a imprensa focou principalmente em questões sociais como a desigualdade (Graeff et al., 2019), o que foi corroborado por Schallhorn (2019, 2020) que, ao analisar a opinião pública alemã após o evento, constatou uma melhora na percepção do público em relação à segurança, estádios e acomodações, mas uma piora na qualidade de vida, situação econômica e meio ambiente. No caso da Rússia o corpo de estudos é limitado, mas análises preliminares indicam um evento muito politizado e polarizado entre a mídia ocidental e a Rússia (Meier et al, 2019).

 

Método

Com o objetivo de compreender como a mídia representou cada país, este artigo coletou o conteúdo produzido sobre o país-sede em sete veículos de notícias de quatro países durante os eventos. El País e El Mundo da Espanha, CNN e New York Times dos Estados Unidos, Le Figaro e Le Monde da França, Daily Mail, The Guardian e BBC do Reino Unido.

Esses veículos foram selecionados devido à sua popularidade e Língua. As três línguas, inglês, francês e espanhol, têm um grande número de falantes de segunda língua. Portanto, esses veículos são seguidos não apenas em seus países de origem, tendo uma audiência mundial. Ainda que não seja possível generalizar a cobertura como um todo, consideramos esse grupo de veículos representativo do público internacional. Os veículos são os mais acessados em seus respectivos países, todos fazendo parte dos 500 sites mais visitados no mundo. CNN (57º), BBC (64º), Daily Mail (96º), New York Times (126º), The Guardian (147º), El Pais (373º), El Mundo (412º), Le Monde (445º) e Le Figaro (452º).

É importante ressaltar que portais e veículos de notícias online foram excluídos da pesquisa. Foram incluídos apenas veículos que produziam outro tipo de conteúdo como jornais impressos ou canais de televisão. A Internet pode ser a fonte de notícias mais utilizada, porém os jornais impressos e outros meios de comunicação ainda possuem maior grau de influência, tendo assim maior impacto sobre a audiência. Os dados foram coletados como parte de um projeto mais amplo que discute a ME em países em desenvolvimento.

Como critérios, foram selecionados todos os artigos sobre os países de origem, excluindo notícias puramente esportivas, publicados durante o evento, começando dois dias antes da cerimônia de abertura e terminando dois dias após a cerimônia de encerramento. No caso do Brasil e da Rússia, a coleta foi feita, por meio do site do veículo, durante o evento, envolvendo todos os veículos selecionados, entre 11 de junho de 2014 e 14 de julho de 2014 e 11 de junho de 2018 e 17 de julho de 2018, respectivamente. No caso da África do Sul, as reportagens foram coletadas em 2018 nos arquivos dos veículos, selecionando os artigos publicados online entre 8 de junho de 2010 e 13 de julho de 2010. Devido às características de cada veículo não foi possível coletar CNN e artigos da BBC.

A cobertura mediática de uma determinada situação não é imparcial ou totalmente factual, neste sentido os jornalistas, consciente ou inconscientemente, enfatizam certos aspectos da situação abordando-a a partir de uma perspectiva específica. Este é um processo natural de produção de conteúdo principalmente porque o leitor não teve uma experiência direta do evento (Tuchman, 1976).

O frame é a maneira pela qual a mídia escolhe para descrever uma situação específica (Carter, 2013; Scheufele & Tewksbury, 2007). Nesse sentido, podemos dizer que frame “é uma ênfase na saliência de diferentes aspectos de um tópico” (Vreese, 2005, p. 53). Essa saliência pode ser dada pela escolha das palavras, do título, das metáforas e da perspectiva (Miller & Ross, 2004).

A análise do quadro se concentra em sua capacidade de moldar a política e a opinião pública (Bashir e Fedorova, 2014). Como a cobertura não é imparcial ou isenta de preconceitos, ela influencia a opinião do público. Estudos têm mostrado que existe um alinhamento entre os quadros mais prevalentes e a posição de um país na arena internacional (Bashir & Fedorova, 2014; Aday et al., 2005)

Os jornalistas muitas vezes não estão cientes desse processo, sendo uma parte natural da produção de conteúdo. Apesar disso, é importante destacar que a cobertura tende a ser mais ou menos tendenciosa à medida que aumenta a distância entre o jornalista e o assunto. Seja a distância física, quando o jornal compra notícias de terceiros como no caso das agências de notícias, ou cultural quando o correspondente é enviado para cobrir um local exótico, diferente da sua realidade (Knüpfer & Entman, 2018; Ogunyemi, 2018). É o caso deste artigo onde os veículos analisados, sediados em países ocidentais desenvolvidos, enviam seus jornalistas para cobrir países em desenvolvimento.

Os frames são comumente usados para discutir a abordagem de mídia social para questões sociais (Harrison & Boehmer, 2020; Sanderson, 2016; Liu, 2019). Relativamente ao ME foram utilizados frames para discutir vários assuntos tanto na sua construção como no próprio evento (Chuma, 2012; Seippel et al., 2016; Zaharopoulos, 2007; Misener, 2013; Shin et al., 2016). Destaque para Gutierrez e Bettine (2020) que discutiram a cobertura do Brasil durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016.

A maior dificuldade em trabalhar com frames está na construção das categorias. Devido à diversidade de assuntos abordados pela imprensa, este trabalho optou por construir os frames de forma indutiva (Haller & Ralph 2001; Pan & Kosicki 1993), ou seja, utilizando a amostra para definir os frames mais prevalentes e não a partir de categorias pré-estabelecidas . A coleta de dados recuperou um total de 5.085 artigos.

Devido ao tamanho da amostra as pesquisas selecionam aleatoriamente 10% (508) dos artigos. Este grupo foi então lido pelos autores que construíram os quadros utilizando o tema mais prevalente e a literatura sobre ME. Cinco quadros foram desenvolvidos.

Política estrangeira - Um dos objectivos de acolhimento de um ME é melhorar as relações internacionais do país, neste sentido o quadro da Política Estrangeira agrupa os artigos que tratam das relações internacionais do país. Neste quadro estão agrupados todos os artigos que discutem a relação do país anfitrião com outras nações.

Indicadores Sociais - Outro elemento importante na busca por sediar um ME, especialmente no caso dos BRICS, é usar a cobertura da mídia para mostrar seu desenvolvimento, mudando a imagem de países atrasados e empobrecidos. Mostrando seus avanços tecnológicos, a melhoria no padrão de vida, em sua infraestrutura e valores políticos, nesse sentido este quadro agrupa os artigos que abordam a situação social e econômica do país.

Infraestrutura do Evento - Pesquisas anteriores mostraram que, quando um ME ocorre em um país em desenvolvimento, a mídia ocidental geralmente é muito crítica em relação à preparação dos países, especialmente no que diz respeito à condição das arenas e à corrupção (Horne e Whannel 2010 ). O quadro de infraestrutura do evento reúne matérias que discutem a estrutura do evento, incluindo publicações que tratam das condições das arenas, transporte, bem-estar do turista e segurança.

Cultura e Turismo - A valorização da cultura do país e a captação de turistas internacionais é uma vertente importante do ME. Então esse frame agrupa as histórias que falam sobre cultura, curiosidades, culinária e opções de viagens no país anfitrião.

Viabilidade - Tradicionalmente, sediar a Copa do Mundo de Futebol Masculino da FIFA é considerado um privilégio único, que atrai turistas e emociona a população. O quadro de viabilidade discute os artigos que tratam dos benefícios e problemas de hospedar um ME, bem como se foram um sucesso ou um fracasso.

Após a criação dos cinco quadros foi realizado um teste de confiabilidade, utilizando o Alpha de Krippendorff. Os autores categorizaram uma amostra aleatória de 10% dos artigos alcançando um índice de 0,84, considerado aceitável pela literatura na análise de conteúdo (Riffe et al., 2014).

Os critérios levaram à coleta de 5.085 artigos, assim distribuídos: 517 para a África do Sul; 576 para o Brasil e 3992 para a Rússia.

 

Análise de dados

Política Estrangeira

O quadro de política externa apresenta a maior diferença entre os países analisados, o que pode ser percebido no número de artigos publicados em cada evento, com a África do Sul produzindo 60 (11% da cobertura total do país), o Brasil 7 (1% da cobertura do país cobertura total) e Rússia 3187 (79% da cobertura total do país). Enquanto nos demais quadros o número de artigos produzidos é semelhante, no caso da política externa a Rússia se destacou, apresentando um perfil completamente diferente.

A sigla BRICS foi criada para agrupar as nações em desenvolvimento com características semelhantes que dominariam o cenário internacional no século XXI. Estes países procuraram os ME para consolidar a sua posição internacional, apresentando as suas instituições e desenvolvimento ao resto do mundo (Grix & Houlihan, 2014). Essa dinâmica ocorre em outros quadros, mas não no caso da política externa. Há uma clara diferença entre a África do Sul e o Brasil quando comparados com a Rússia. Nos dois primeiros casos, a cobertura da política externa é muito limitada e geralmente relacionada ao evento.

A Rússia tem um perfil completamente diferente, diferente dos outros dois; o país foi retratado como um player global. A cobertura teve pouca relação com o evento focando em temas gerais de política e economia, a mídia tem o hábito de, nos mais variados assuntos, mostrar a posição do governo russo sobre o assunto. Alguns acontecimentos contribuíram para a quantidade de reportagens, como as acusações de interferência na eleição americana, o envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal na Inglaterra e o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Vladimir Putin, na Finlândia.

A análise desse quadro mostra um perfil diferente entre os países analisados. A Rússia foi retratada como uma potência global, com influência nos mais variados assuntos. A cobertura do Brasil e da África do Sul é limitada a questões regionais, em grande parte relacionadas à Copa do Mundo, apresentadas mais como uma curiosidade do que uma análise geopolítica significativa.

 

Cultura e Turismo

Um dos principais objetivos de acolher um ME é divulgar a cultura do país, incentivar o turismo e aumentar a exportação de alguns produtos. A comunicação social tem um papel fundamental neste processo, apresentando o país ao público estrangeiro, retratando-o como um destino de férias adequado ou não (Panagiotopoulou, 2011; Falkheimer, 2007). O quadro Cultura e Turismo teve um total de 566 artigos: 205 (39% da cobertura total do país) na África do Sul, 169 (29% da cobertura total do país) no Brasil e 192 (4% da cobertura total do país) na Rússia. A África do Sul, mesmo sem a BBC e a CNN, teve prevalência desse enquadramento, absoluta e relativa.

A literatura coloca os megaeventos como uma oportunidade de apresentar a cultura e a história do país. Os jornais produziram matérias sobre gastronomia, cidades históricas e belezas naturais. Este, no entanto, não era o centro do quadro, nossas análises mostraram que no caso da África do Sul e da Rússia o foco estava em eventos históricos já conhecidos do público.

Na África do Sul o foco da imprensa foi o apartheid, o regime racista que vigorou entre 1948 e 1994 foi discutido a fundo pela imprensa que abordou desde suas raízes históricas até ramificações modernas. O ex-presidente Nelson Mandela foi o tema preferido com 35 matérias no total com os veículos discutindo seu cotidiano, história e opiniões. Isso foi ampliado também devido ao trágico acidente de carro que matou sua sobrinha na véspera da cerimônia de abertura; com a imprensa cobrindo amplamente seu luto. No caso da Rússia, o século 20 foi o tema mais discutido, com 45 artigos cobrindo a história do país entre a Revolução Russa de 1917 e a queda do muro de Berlim.

Ao contrário do que se poderia esperar, o ME não mostrou aspectos desconhecidos da cultura desses países, mas focou em elementos já conhecidos pelos leitores, neste caso o Apartheid e a história da URSS. Nesse sentido, o Brasil foi uma exceção entre os países analisados, talvez por não ter um acontecimento marcante do século XX. A cobertura então foi mais dinâmica, discutindo música, gastronomia, história e turismo, numa escala maior do que nos outros dois eventos.

Outro aspecto importante desse quadro foi a cultura futebolística anfitriã. Na África do Sul, os meios de comunicação retrataram o futebol como um esporte emergente, que busca se firmar em um país onde outros esportes são mais populares, principalmente o rugby, como afirma o jornal Le Monde “Na África do Sul, a próxima geração do futebol está pronta” (Em África, 2010) . Outra questão que se repetiu durante a cobertura é a ideia da “Copa da África”, como colocou o New York Times “O futebol retorna às suas raízes na África” (Clarey, 2010).

No Brasil, o foco estava no profundo significado histórico do esporte e na metáfora do “país do futebol”, conforme resumido pelo vídeo do Le Monde “Por que o Brasil é o país do futebol” (Mokhtari et al., 2014). Na Rússia a cobertura foi mais descritiva, apresentando a cultura futebolística do país, os clubes populares, as cidades onde o futebol é mais praticado e o que os russos comem no estádio.

Outro aspecto importante deste quadro foi a representação dos russos. Nos dois primeiros eventos a população foi frequentemente descrita como simpática e festiva, característica comum na cobertura nos ME em países em desenvolvimento (Gao, 2010, Schallhorn, 2019). Os russos, no entanto, foram descritos como frios e introvertidos, conforme publicado pelo The Guardian “‘Mal parece Moscou agora. As pessoas estão sorrindo” (Roth, 2018).

Outros trabalhos já discutiram como na cobertura de um ME a mídia pode se concentrar em um único aspecto (Gutierrez & Bettine, 2020), produzindo uma grande quantidade de artigos sobre um tema, que às vezes não é totalmente relevante, isso aconteceu na África do Sul , com a vuvuzela. A trompa tocada pelos sul-africanos durante os jogos de futebol tem fascinado a mídia, que dedicou 38 artigos sobre o assunto. Todos os aspectos do instrumento foram discutidos pela imprensa, sua história, como tocá-lo e os riscos de se espalhar para o resto do mundo, como no Daily Mail “Por que o som da trombeta Vuvuzela é o símbolo do futebol sul-africano ” (Why the Sound, 2010) ou como em Le Figaro “o zumbido insuportável das vuvuzelas” (Hugues, 2010).

 

Infraestrutura do Evento

O quadro de infraestrutura do evento está relacionado a matérias que tratavam do bem-estar do turista e da estrutura geral do evento. Este quadro tem 82 (15% da cobertura total do país) artigos na África do Sul; 131 (22% da cobertura total do país) no Brasil e 288 (7% da cobertura total do país) na Rússia.

A África do Sul e o Brasil têm uma cobertura muito semelhante dentro do Quadro. A maioria dos artigos aborda um número limitado de situações, como dificuldades de mobilidade urbana, roubos, acidentes e gestão de fan zones. No caso brasileiro, o desabamento de um viaduto construído para os jogos da cidade de Belo Horizonte teve abrangência ampla, mas meramente descritiva.

Na Rússia, que teve o maior número de artigos, surgem novos elementos. A cobertura enfocou questões sociais como racismo, assédio sexual, homofobia e xenofobia. Ao contrário dos outros dois eventos, onde a violência urbana se mostra como o maior risco para os turistas, no caso da Rússia, o perigo vem das atitudes da população do país e, às vezes, dos turistas.

É importante destacar como essas questões são enquadradas pela mídia internacional. O discurso da mídia não é uma representação fiel da realidade, mas uma percepção pessoal de como a realidade se desenrola. Então é interessante notar que a imprensa, em sua maioria, não discutiu a vida cotidiana dos russos ou suas raízes históricas, mas as maneiras pelas quais elas afetam a segurança do turista.

A xenofobia e o racismo seguem uma trajetória semelhante. A questão da xenofobia está presente quase que exclusivamente na imprensa britânica, como no caso do The Guardian “‘Acho que vai dar tudo certo’: torcedores ingleses começam a chegar em Volgogrado” (Kelnr, 2018), os veículos consideraram que os russos ainda podem ver os britânicos como inimigos devido aos conflitos durante a Guerra Fria. No caso do racismo a preocupação vem da ideia de que a sociedade russa é geralmente hostil aos negros, como no caso do The Daily Mail “Visite a Rússia para a Copa do Mundo, mas tenha cuidado, diz o cão de guarda anti-racismo” (Visit, 2018) . Com a ausência de incidentes graves, a imprensa adotou um tom mais leve durante a cobertura.

A questão LGBTQIA+ foi tratada de forma mais crítica. A Rússia adotou uma série de leis restringindo, na visão da imprensa ocidental, os direitos da comunidade LGBTQIA+, com jornais retratando o país como inseguro para a comunidade, conforme noticiado pelo El Pais “Um dos principais líderes dos ultras russos adverte: ‘Gays devem se cuidar’” (Castelletti, 2018). A cobertura focou nos protestos de ativistas internacionais, que aproveitaram o evento para protestar contra as atitudes do governo russo, seu constante conflito com as autoridades foi frequentemente divulgado pela mídia, como no caso da BBC “ Estou indo para a Rússia para mostrar aos fãs LGBT que tudo bem ser quem você é’” (Lee, 2018).

As situações de assédio sexual seguiram uma trajetória diferente durante o evento. Isso foi desenvolvido ao longo dos jogos, não uma preocupação inicial. Ao contrário das outras situações, o risco não veio dos russos, mas dos turistas. Os veículos destacaram o comportamento inadequado dos torcedores como o canto de músicas machistas e o assédio a repórteres, russas e torcedoras, como descrito pelo El Pais “O comportamento da torcida colombiana na Rússia constrange o País” (Torrado, 2018) e na CNN” O sexismo da Copa do Mundo que não vai embora - e as repórteres na linha de frente” (Masters, 2018)

A análise dos três eventos mostra uma mudança importante na abordagem da imprensa em relação à segurança e bem-estar dos turistas. Os dados limitados impossibilitam chegar a uma conclusão definitiva. Só é possível especular as causas dessa mudança. Pode estar relacionado a questões específicas da Rússia e talvez a uma tendência da imprensa ocidental, como resquício da Guerra Fria, de entender o país como hostil aos estrangeiros. Mas essa mudança também pode estar relacionada a transformações sociais mais amplas, principalmente no caso do comportamento da multidão. A análise levanta questões interessantes que precisam ser abordadas em pesquisas futuras. A Copa do Mundo FIFA de 2022 no Catar, um país muçulmano com histórico controverso de direitos civis (Rookwood, 2019; Brannagan & Giulianotti, 2015), pode ser um caso interessante para analisar essas transformações.

 

Indicadores Sociais

A representação dos indicadores sociais do país sede é uma parte importante da cobertura dos ME nos países em desenvolvimento com impacto comprovado na perceção internacional do país (Schallhorn, 2019, 2020) com estudos que mostram que a cobertura dos ME nos países emergentes tem um forte foco em questões sociais e políticas (Hammett, 2011) e desigualdade (Gutierrez & Bettine, 2020; Graeff et al 2019). Dos critérios do quadro de Indicadores Sociais tivemos: 100 (19% da cobertura total do país) na África do Sul, 131 (22% da cobertura total do país) no Brasil e 184 (7% da cobertura total do país) na Rússia .

O perfil do quadro na África do Sul e no Brasil foi semelhante enquanto na Rússia tem características próprias. No caso da África do Sul e do Brasil, o quadro é dominado por questões sociais, principalmente relacionadas à desigualdade, saneamento, falta de oportunidades e infraestrutura urbana. No caso da África do Sul, a epidemia de AIDS foi amplamente discutida.

A mídia muitas vezes usou as comunidades pobres, favelas no Brasil e os Townships na África do Sul, para discutir a situação social desses países. Esses lugares foram retratados de forma conflituosa. por um lado a mídia mostrava as comunidades como uma região única, exótica e detentora de uma cultura mais legítima, mas também como uma região com graves problemas sociais e econômicos. No caso sul-africano, temos a reportagem do Le Monde “A Copa das desigualdades” (Le Mondial, 2010), e no Brasil a CNN “Favelas mostram o lado oculto do Brasil” (Favelas, 2014).

Parte da análise do discurso é discutir o que está faltando. Nesse sentido, a questão ambiental está ausente da cobertura sul-africana. A questão da preservação e o impacto ambiental dos ME têm sido um tópico importante em algumas das pesquisas mais recentes (Gutierrez & Bettine, 2020; Yoon & Wilson 2019). No caso da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, a mídia mostrou um interesse especial na floresta amazônica. Esses tópicos estiveram ausentes da cobertura da África do Sul, mesmo que o país também seja conhecido por sua fauna e flora únicas.

Uma questão interessante é como os jornais retratam os problemas sociais da África do Sul. O continente africano foi muitas vezes retratado como uma entidade única, com problemas e desafios semelhantes. Esse padrão não se repete em outros eventos, os problemas sociais são específicos do Brasil e não da América Latina, da mesma forma que a Rússia é retratada como um país único.

Na Rússia, o foco da imprensa foi diferente, a mídia cobriu principalmente questões políticas, com particular interesse nos dissidentes políticos do regime de Vladimir Putin. Os veículos cobriram a situação de Alexei Navalny, um dos principais líderes da oposição russa, e os protestos do grupo Pussy Riot, que invadiu o gramado durante a final da Copa do Mundo. A politização dos ME nos países em desenvolvimento é um tema que já foi discutido em outras ocasiões, principalmente relacionadas à China, com outros trabalhos apontando para uma situação semelhante na Copa do Mundo da Rússia (Gao, 2010, Meier et al., 2019).

 

Viabilidade

O quadro de viabilidade foi onde ocorreram as maiores transformações no período, sendo a categoria menos numerosa com 70 (13% da cobertura total do país) na África do Sul, 133 (23% da cobertura total do país) no Brasil e 144 (3 % da cobertura total do país) na Rússia. No entanto, apresenta elementos interessantes para entender como a mídia retrata o ME, seus benefícios, problemas e futuro. Há uma mudança drástica no quadro entre a África do Sul de 2010 e o Brasil de 2014.

A cobertura da África do Sul foi a mais positiva. A imprensa destacou o significado histórico da primeira Copa do Mundo no continente africano, além do evento transcender a África do Sul sendo muitas vezes retratado como a “Copa da África”. A imprensa destacou os benefícios materiais e imateriais para o país e continente, conforme descrito pelo El País ““Africa Time” arranca em Joanesburgo com a grande festa do futebol” (La Hora, 2010), ou The Guardian “África do Sul deixa um Legado da Copa para lembrar” (Owen, 2010). Há uma preocupação com custos e legado, mas marginalmente, com os veículos preferindo exaltar os possíveis benefícios do evento.

Depois da África do Sul, uma série de eventos mudou a forma como a mídia entendia o ME. Em 2013 uma série de grandes protestos aconteceram nas principais cidades brasileiras tendo como um dos alvos os gastos exorbitantes da Copa do Mundo e das Olimpíadas (Penfold, 2019; Shahin et al., 2016). Isso impactou a cobertura do Brasil e da Rússia, que perderam parte do tom épico para dar lugar a uma visão mais equilibrada sobre os prós e contras desse tipo de evento.

No caso brasileiro, a cobertura começa com os jornais expressando muitas dúvidas quanto à capacidade de organização e ao apoio da população à Copa, bem como quanto à viabilidade do evento em si. Essas dúvidas foram se dissipando gradativamente, devido ao apoio maciço da população e a ausência de qualquer incidente maior com veículos exaltando a organização do evento e seu valor histórico (Gutierrez & Bettine, 2020).

Na Copa do Mundo da Rússia, as críticas tomaram outra forma. Os jornais não estavam preocupados com o custo do evento ou os benefícios para o povo russo, mas com seu impacto político. O evento foi visto principalmente como um movimento político do governo para expandir sua influência interna e externa, com os jornais até levantando a questão se seria ético assistir aos jogos, como colocou o The Daily Mail “O evento esportivo mais desprezível desde as Olimpíadas de Berlim: com um gesto grosseiro, Robbie Williams resume todo o circo espalhafatoso da Copa do Mundo de Putin” (Hardman, 2018). Se a África do Sul era a “Copa da África”, o evento russo era frequentemente retratado como a “Copa de Putin”.

Assim como no Brasil, a empolgação da população e a ausência de grandes problemas levam a imprensa a declarar o evento um sucesso, mas desta vez com ressalvas, visto que o sucesso do evento foi também o sucesso do governo, conforme resumiu a CNN “Esqueça o futebol, Vladimir Putin é o verdadeiro vencedor da Copa do Mundo” (Hodge, 2018) ou Le Monde “A Rússia capitaliza ‘seu’ sucesso na Copa do Mundo” (Mandraud, 2018).

O que se pode constatar ao analisar os três eventos é que a partir do Brasil a imprensa tem uma visão mais crítica dos jogos, deixando de lado a exaltação pura e simples, para analisar os impactos políticos e econômicos de sediar um ME. No caso do Brasil, o impacto econômico de um investimento dessa magnitude em um país com diversos problemas sociais e na Rússia o fortalecimento de um regime visto como não democrático. A África do Sul, como país em desenvolvimento, estaria sujeita a críticas semelhantes, mas naquele momento a imprensa internacional optou por deixar essas questões em segundo plano.

 

Considerações finais

Analisando a cobertura como um todo, é possível perceber que a variedade de formatos e linhas editoriais dos veículos não impactou no excedentes, de modo que os jornais tendem a discutir os mesmos acontecimentos, com enfoque semelhante, o que já havia sido verificado em outros estudos. Não há conflito editorial entre veículos com poucos assuntos considerados importantes abordados em um veículo e não em outros (Graeff et al, 2019; Gutierrez e Bettine, 2020; Hammet, 2011)

Só é possível especular as razões dessa homogeneidade de cobertura, que pode estar relacionada ao fato de ser um evento único que ocorre por um período limitado, não permitindo uma abordagem mais ampla ou tendo raízes na forma como a imprensa nos países desenvolvidos retrata os países em desenvolvimento.

Os ME são consideradas uma importante oportunidade de mostrar o país anfitrião ao mundo. A Copa do Mundo da FIFA aumenta o interesse no país-sede, mas essa cobertura não é muito variada. A mídia tende a focar não em aspectos desconhecidos do país, mas em elementos já conhecidos do público internacional, como o Apartheid na África do Sul e a Revolução Russa. Nesse sentido, o Brasil tem a cobertura mais variada entre os eventos analisados, talvez por não ter uma imagem consolidada no público internacional.

Os três países são considerados emergentes, muitas vezes agrupados como BRICS. A Copa do Mundo da FIFA apresenta abordagens diferentes em cada sede. A cobertura da África do Sul e do Brasil é focada em questões sociais, como violência, miséria, preservação da natureza, desigualdade e saúde pública, perfil já verificado em outros estudos (Hammet, 2011; Schalhorn 2019). A cobertura da Rússia é voltada para questões políticas, a politização dos megaeventos é um fenômeno já percebido em outros estudos, principalmente em relação à China (Gao, 2010) e na própria Rússia (Meier, 2019). Apesar do fim da URSS, o país continua sendo retratado como uma potência rival pelos jornais ocidentais, principalmente americanos e britânicos. Essa visão esteve presente em toda a cobertura. Assim, o foco do Indicador Social Indicator foi voltado às manifestações políticas contra o governo de Vladimir Putin e não na discussão socioeconômica presente em outros eventos. No caso da Infraestrutura, o principal perigo para os turistas não veio da violência, como no Brasil e na África do Sul, mas da população russa frequentemente retratada como racista, xenófoba e homofóbica.

Esse fenômeno ocorre principalmente no Quadro de Política Externa, que no caso russo tem mais artigos do que todos os outros juntos. Na Rússia, a maioria dos artigos não estava diretamente relacionada ao evento, a imprensa internacional acompanha as opiniões e ações do governo russo, mostrando interesse na posição do país em vários assuntos internacionais. No caso da África do Sul e do Brasil a abrangência desse quadro se restringiu a curiosidades ou assuntos regionais.

O quadro de viabilidade também apresenta questões interessantes, neste caso uma mudança drástica na forma como o evento é visto. O evento na África do Sul foi tratado de forma idealizada, com a imprensa exaltando o valor histórico do evento e seus benefícios materiais e imateriais para a África como um todo. Essa perspectiva mudou em 2013 com os veículos adotando uma visão crítica em relação aos próximos eventos. No Brasil, as críticas se concentraram na necessidade de um evento tão caro em um país com problemas sociais graves, enquanto na Rússia o foco foi o aproveitamento político do evento pelo regime de Vladimir Putin.

Outra questão interessante que se coloca na comparação das coberturas foi a forma homogenea da imprensa internacional sobre a África, “Taça de África”, bem como várias questões sociais e políticas foram discutidas como questões africanas, uma situação que não se repete em outros eventos. A Copa do Mundo no Brasil não é descrita como Copa da América Latina e a Copa da Rússia como Copa do Leste Europeu, da mesma forma que a imprensa descreve os problemas dos dois países como questões nacionais e não regionais.

No geral é possível notar que Brasil e África do Sul têm uma cobertura semelhante, voltada para questões sociais, enquanto a Rússia é voltada para questões políticas, mostrando a posição diferenciada desses três países na política internacional. No período houve transformações significativas na forma como a mídia entende o ME, com uma visão mais crítica a partir do Brasil.

 

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1 Financiamento FAPESP Processo: 21/10443-3, O fim de uma era nos megaeventos esportivos: análise dos eventos em nações em desenvolvimento, África do Sul, Brasil, Índia e Catar

2 Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil. Correo electrónico: marcobettine@usp.br

3 Universidade Estadual de Campinas, Campinas, Brasil. Correo electrónico: diego.gutierrez@unicamp.com